segunda-feira, 31 de outubro de 2016

eu, Juliana: recife-londres-berlim e, logicamente, Bowie!

Em 1984, eu tinha 12 anos quando, atraída pela curiosidade do título, peguei emprestado e escondido o livro “Eu, Christiane F. 13 anos, drogada e prostituída...” da estante da minha mãe. Apesar da minha pouca idade, tinha consciência do meu ato transgressor, embora a curiosidade tenha sido mais forte. Ao descobrir, minha mãe ficou muito preocupada comigo e foi na Escola Parque do Recife, onde estudei durante toda a minha vida, pedir conselhos a saudosa Dôsa que, prontamente, aconselhou muito sabiamente a não proibir a leitura. Por dois motivos, basicamente: o livro mostrava a vida real fora dos nossos muros e o meu ato era o início de uma demonstração de amor pelos livros. De fato! Segui em frente no livro, muito impressionada com aquele mundo nebuloso, mas fascinante ao mesmo tempo; e curiosa em relação ao universo berlinense tão distante do meu mundinho chamado Recife. Poucos anos depois, veio o filme e, com ele, a revelação de um grande artista. Sim, David Bowie.

Ali, começou (e continua até os dias atuais no alto dos meu 43 anos) a minha paixão por Bowie, por Londres e por Berlim - esta foi, sem dúvida, a sua maior fonte de inspiração. A partir dali, Bowie passou a representar o que eu entendo por vanguarda, universo pop, arte, moda, música, globalização. Enfim, várias das minhas referências atuais eu devo a ele. Aliás, esse privilégio não é dado só a mim, mas a muitos de nós. Sobretudo à turma recifense que se esbarrava para compartilhar, no início da década de 90 na Misty, Adilia´s Place, Bar do Grego, Soparia, Abril pro Rock no Circo Voador, Rua do Lima, da Aurora e afins, a rica efervescência cultural na cidade: do som da Misty aos shows de Chico Science, Mundo Livre S.A, Paulo Francis Vai pro Céu e por aí vai. A diversão era o lema!

Bowie deixa várias gerações recifenses órfãs, inclusive a minha. Após o encantamento de Bowie (sim, como diz o ditado, gênios não morrem, eles se encantam!), reacendeu o desejo de realizar um antigo sonho. Berlim, precisamos nos conhecer urgentemente! Começando pela Hauptstrasse, 155, Schoneberg.
 

 * escrito em janeiro de 2016

segunda-feira, 29 de julho de 2013

...sobre o mal!




Saudades daqui. A correria do cotidiano tem me mantido mais distante do que eu gostaria deste espaço que eu zelo tanto, sobretudo num semestre carregado de estatísticas, literalmente. Abre parênteses. A disciplina obrigatória de métodos quantitativos é o terror dos pós-graduandos de sociologia da Federal. Mas, a gente sobrevive e, pasmem, aprende! Depois de um semestre sofrido, eis que exponho aqui algumas inquietações acadêmicas que têm tudo a ver com o tema. A tal da emoção! Do nosso esforço de dar sentido ao mundo.

O sofrimento humano faz parte da vida. Na filosofia oriental, o sofrimento faz parte da dimensão humana. A tradição judaico-cristã, ilustrada na histórica bíblica de Jó, sublinha a dor presente na vida tentando entender suas causas. O exame da história humana, sobretudo na versão que nos oferece a literatura grega, faz surgir ao mundo homens marcados pelos desígnios cósmicos. Ulisses, Prometeu, Édipo e Antígona são alguns dos personagens cujas tragédias pessoais moveram suas vidas.

Com Zaratustra, Nietzsche retomou o mito para propor a capacidade do ser humano para superar suas adversidades e se “mover” em direção a um mundo que faça sentido. Olha o que ele dizia: “Zaratustra foi o primeiro a ver na luta entre o bem e o mal a roda motriz na engrenagem das coisas - a transposição da moral para o plano metafísico, como força, causa, fim em si, é obra sua”.

Na contemporaneidade, analisar o sofrimento causador das depressões como uma das expressões do sintoma social significa supor que os depressivos constituam, em seu silêncio e recolhimento, um grupo ruidoso e incômodo. Para a psicanalista Maria Rita Kehl, a depressão é a expressão máxima do mal-estar que ameaça a “euforia prêt-à-porter, da saúde, do exibicionismo e, do consumo generalizado”.

Do ponto de vista da experiência subjetiva, a singularidade do sofrimento o torna um campo privilegiado para se pensar a relação entre indivíduo e sociedade, superando hábitos instaurados por uma forte cultura de desprezo à emoção. Num contexto de crescente tecnologização do cuidado, precisa-se resgatar as várias dimensões do sofrimento humano. 

Na contemporaneidade, o tempo é outro. Está cada vez mais curto e acelerado. Não há mais espaço para o sofrimento. Nem necessidade. Pra que sofrer se hoje temos a nossa disposição as pílulas da felicidade e do prazer? Não temos mais os mitos de outrora, que atribuíam à dor um sentido e ao sofrimento uma razão de ser, como o fez Zaratustra. Numa sociedade secularizada, em que o sofrer não tem sentido, somos incapazes de perceber o sentido do sofrimento - nem a dor do Outro - como força impulsora do desenvolvimento humano. É preciso resgatar a experiência do sofrimento, revelando a singularidade do sujeito que sofre, para dar um sentido a nossa existência, e desvendar a universalidade da condição humana.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cuidado quando for pedalar sua bike...



Eu já havia lido os ótimos Desonra (este lhe valeu nada menos do que o Nobel de Literatura), e Diário de um ano ruim. Em seguida, veio a pista de Xico Sá de que se tratava de um ótimo livro. Não tinha erro. Como não teve.

O Homem Lento, de J.M Coetzee, é tocante. Com uma escrita fluida, o autor nos leva a refletir sobre como vivemos as nossas vidas.

A história sobre um velho (nem tão velho assim) que perde a perna após um acidente de bicicleta tem uma narrativa comovente. O autor aborda brilhantemente o amor, o envelhecimento e a morte, no melhor estilo Philip Roth (sim, o livro me fez lembrar este grande escritor).  

A misteriosa escritora Elizabeth Costello, personagem de outros livros do autor e considerada como o alterego de Coetzee, entra na trama para ajudá-lo com as questões dos limites entre realidade e ficção.

Como toda obra literária que se preze, O Homem Lento levanta questões, mas não nos dá as respostas esperadas.

E cuidado quando pegar a sua bike e for pedalar por aí para não ser "atropelado pelo tempo".


segunda-feira, 4 de março de 2013

“Poderia pintar para ganhar dinheiro, mas por que fazer isso se posso fazer meu próprio dinheiro?”




Eu achava que já tinha dado a minha cota de filmes de guerra e holocausto. Depois de assistir aos Falsários, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009, vi que não. Há muitas nuances e histórias ainda pouco vistas e interessantes que valem a pena.

O filme nos dá uma boa impressão logo no começo, com belas imagens de ruelas típicas das cidades da Riviera Francesa.

No auge da 2ª Guerra, Salomon é um judeu falsário e bon vivant que, por conta de suas habilidades manuais, vai parar num local pouco habitual do campo de concentração.

Dos ambientes rodeados de luxo e riqueza à humilhação dos campos, este personagem controverso mantém a dignidade, mesmo que sob a máscara da subserviência.

O que diferencia este filme dos demais sobre o tema é que ele não tem como foco o sofrimento dos judeus durante o holocausto. É muito mais do que isso. Nele, há um debate ético sobre o que de fato importava naquele momento.

Sobreviver e trabalhar contra seu próprio povo em prol dos nazistas? Ou sabotar a operação de falsificar dinheiro para financiar a Alemanha, correndo o risco de pagar com a própria vida?

O filme é baseado numa história pouco conhecida da 2ª Guerra Mundial. É uma história bem contada.

Atenção especial para a trilha sonora: um tango argentino lindo!

Recomendo!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A força das circunstâncias...




Já passava das 2 da manhã e nada de ir dormir. Já tinha respirado inúmeras vezes, feito o lanchinho básico da madrugada insone, fuçado o instagram, o facebook. E nada! É que naquela noite o livro que eu acabara de ler me deixou fora do eixo.

Pensativa mais do que o normal. Angustiada mais do que deveria. Extasiada pela capacidade narrativa do escritor. Excitada com o impacto de um livro bem escrito. Aliás, os últimos livros que eu tenho lido andam provocando um efeito parecido aos descritos acima.

Voltando ao livro em questão: Nêmesis, de Philip Roth.

Através de uma bela narrativa em primeira pessoa sobre as consequências devastadoras da poliomielite no cotidiano de uma comunidade judaica culturalmente enraizada, Nêmesis  trata da impotência dos homens diante da força das circunstâncias.

É um livro denso, melancólico e que nos coloca diante da finitude humana.

Abre um breve parênteses. Antes de começar a ler o livro, a curiosidade fez com que eu procurasse o significado de Nêmesis. Pois bem. Na mitologia grega, nêmesis é a deusa da justiça. Um paradoxo que faz todo sentido.

Há quem diga que esta que vos escreve entra em outra camada da atmosfera quando acaba um livro.  Talvez seja verdade.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Devolvi tudo...




Ok. Eu sei que o tempo é de carnaval. Mas, entre confetes e serpentinas, acho que não fica tão fora do tom eu me acabar de dor de cotovelo, escutando, falando e escrevendo sobre os efeitos da lama na alma de uma pessoa. Afinal de contas, como bem disse Moacir Franco, a nossa vida é um carnaval, a gente brinca escondendo a dor...

Tenho uma memória afetiva por Nubya Lafayette. Quando criança, todos os dias eu era acordada pelo radinho de pilha da negra Bá, já nos afazeres domésticos, escutando Devolvi o cordão e a medalha de ouro... Como era bom começar o dia daquela forma. Que saudade eu tenho de deitar a minha cabeça sobre os peitos imensos da minha amada negona.

O meu hino Último Desejo, do grande Rosa da Lapa, é sempre pedido por esta que vos escreve no meio de uma carraspana. A última foi na Feijoada do Betinho. No meio do maior sambão de Seu Riba, eis que encarecidamente suplico: Jorge, canta Noel! E começo. Nosso amor que eu não esqueço e que teve o seu começo...só sei que neste dia Mestre Riba me deu a honra de uma salsa (ou seria merengue?). E voltei pra casa feliz após ter celebrado a vida mais uma vez.

Bazinha, obrigada por me mostrar a lindeza da vida. Saravá, negona do meu coração.

Te amo e te dedico!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Uma memória imperfeita!




A primeira vez que ouvi falar em Julian Barnes foi em 2001 quando morava em Londres. Foi numa resenha do ótimo caderno de cultura do The Guardian, publicada aos sábados, que traz críticas literárias, gastronômicas, de filmes e afins. Estava lá no Caffè Nero do Soho, como de costume, quando li uma crítica sobre seu então romance intitulado Love, etc.

Na verdade, o que mais me chamou a atenção naquele livro foi a ilustração da capa que mostrava lindos sapatos, de verniz e bicolores do modelo Oxford. Devorei o Love, etc na semana seguinte e pronto. Apaguei este escritor da minha memória completamente. Vai entender...

Numa tarde de domingo de um não tão distante novembro recifense, pois, não pensei duas vezes quando me deparei na Cultura com o sugestivo título Sentido de um fim daquele escritor que eu tinha simplesmente retirado da minha memória. Comprei. Mas, por conta de afazeres domésticos e acadêmicos só fui ler o livro agora em janeiro.

É um livro sobre memória e identidade, com narrativa despretensiosa e envolvente. O narrador fala das ciladas que a memória nos apronta na vida. “O que você acaba lembrando nem sempre é a mesma coisa que viu”. A frase, dita por Tony Webster, protagonista desta narração, resume bem a ideia central da trama criada por Barnes.

No alto de seus 60 anos, desfrutando de uma aposentadoria pacata e tranquila, Webster descobre que é preciso fazer um acerto de contas com o passado. Como o próprio diz: "a história é a certeza produzida a partir do encontro das imperfeições da memória com a sua documentação inadequada".

Existe acumulação na vida. Existe inquietude no livro, uma inquietude que insiste em não sair dos nossos pensamentos.

Recomendo!


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nós e os mitos!


As Plêiades
Minhas questões existenciais têm o tempo da consciência desta que vos escreve. Acho que o tal do sentido da vida que a gente procura é para diminuir o medo diante da nossa condição de finitude. Tememos mais do que deveríamos. Somos vulneráveis por definição. 

O homem sempre se agarrou nos mitos para obter impulso a fim de suplantar as vicissitudes da vida. Nosso espírito está generosamente povoado de mitos, de sonhos e de utopias. Ai de nós se não tivéssemos nada para crer. Acho que esta é a forma mais antiga de auto-ajuda.

Desde que o mundo é mundo, sobretudo na versão que nos oferece a mitologia grega, vemos a fraqueza humana diante da força da natureza. Hoje em dia, a gente joga essas fraquezas para debaixo do tapete. É imoral perder, temos vergonha de sofrer! Vivemos a era da euforia prêt-à-porter, nem que seja à base de Rivotril.

Ela é amedrontadora, sim, mas também motor de ação. A velha da foice foi chamada por Manuel Bandeira de a mais “indesejada das gentes”. Na medida em que vou amadurecendo percebo que o nosso previsível fim gera inúmeras questões que direcionam para um olhar sobre a nossa relação com a vida. 

É por tudo isso que eu, com meus medos, mitos e crenças, procuro cada vez mais dar valor a minha prática diária. E um bom começo para perceber isto se dá através da percepção da nossa respiração e da consciência corporal. 

Ah, quanta sabedoria que vem lá do Oriente! Que os ventos continuem trazendo-a para nós!

Voltei, pessoal! 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Tramas em alta no mundo artsy



Instalação de Joana Vasconcelos
Depois que eu postei no mês passado as esculturas maravilhosas da artista Toshiko Horiuchi, que criou um parque infantil feito com crochê em Sapporo, no Japão, percebi que a onda handmade não se restringe apenas ao universo lúdico infantil e chega ao mundo artsy.

As redes de Ernesto Neto

No Brasil, o artista Ernesto Neto expõe suas esculturas elásticas feitas de crochê que lembram redes na galeria Fortes Vilaça. E o melhor, o publico pode interagir. O espectador é convidado a participar ativamente, tocando, cheirando ou adentrando o espaço da escultura.  C'est pas mal!

E na França a badalada artista portuguesa Joana Vasconcelos montou uma série de esculturas gigantes feitas de tricô, crochê e patchwork. Estas estão expostas no Palácio de Versalhes. Vale a pena dar uma olhada no site da expô: http://www.vasconcelos-versailles.com/


Instalação em Versailles

Adoro essa profusão de cores, retalhos e tecidos! E para quem gosta de se inspirar nas tendências e é adepta ao "do it yourself", aconselho uma passada na Fenearte para garimpar algumas possíveis futuras instalações.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A semelhança entre o ouriço de Barbery e o cachimbo de Magritte!



Após algumas noites insones por conta dele, finalmente consegui terminar ontem a Elegância do Ouriço, da escritora e filósofa francesa Muriel Barbery. Ele, o livro, chega como quem não quer nada, mas aos poucos vai conquistando pela excelente narrativa. As duas personagens principais, Paloma e Renée, passam a vida preocupadas em apagar os traços de suas existências, embora sejam de uma sedutora riqueza intelectual. A história se passa no edifício chiquérrimo da aristocracia francesa localizado à Rua de Grenelle, 7, onde ambas residem.

As observações sobre literatura, escrita, envelhecimento, psicanálise e outros assuntos da vida moderna são descritas através de uma narrativa recheada de ironia. E deliciosamente despretensiosa. O curioso é que essas impressões das personagens me remeteram ao humor do pintor belga René Magritte. Mais precisamente à obra das mais conhecidas: Ceci n’est pás une pipe (Isto não é um cachimbo)! Em comum entre os três? O jogo com o significado das palavras. Eu tenho pra mim que a autora do livro fez uma homenagem ao pintor.

Minha primeira pista começa pelo nome da concierge: Renée, a forma feminina do primeiro nome de Magritte. Outra peculiaridade que me chamou a atenção foi os nomes que a autora escolheu para as duas irmãs da Rua Grenelle, Paloma e Colombe. Esses nomes significam Pomba em línguas diferentes. O fato de Muriel Barbery ser filósofa e, portanto, conhecedora de conceitos de linguística utilizados por Magritte me soou como mais uma grande coincidência.

A gente não percebe o tempo passar quando adentramos nos pensamentos profundos contidos no livro e, tal como Paloma e Renée, nos percebemos sozinhos em nossos pequenos mundos. A vontade que dá é ler de novo este romance sobre solidão e amizade, arte e beleza, justiça e amor, tempo e eternidade.

Obrigada pela dica, Gilberto! Adorei.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vale a pena refletir sobre!




Quando vi o título e o autor do livro no Alas (encontro sul-americano de sociologia que aconteceu no Recife no ano passado), não pensei duas vezes.  O livro “Os Estabelecidos e os Outsiders”, de Nobert Elias e John Scotson, estava gritando para chamar a minha atenção. Tinha que ler aquela obra de título sugestivo. Como eu já tinha comprado outros tantos, fiquei reticente. “Olha a compulsão, Juliana”!, afirmava meu superego, a parte moral do juízo que queria inibir meus impulsos através da culpa.

Mas, nem mesmo ele conseguiu me conduzir aos seus apelos. Depois de a paquera perdurar por uma semana, fui seduzida e acabei levando-o comigo pra casa. O livro é de fato tudo o que eu
a priori pensei sobre ele. Após quase um ano após a compra, eis minhas impressões!

Trata-se de uma pesquisa feita no interior da Inglaterra. Após três anos estudando aquela comunidade, Elias e Scotson mostram uma clara divisão entre um grupo de residentes estabelecido por muito tempo num bairro relativamente antigo e, ao redor dele, duas povoações formadas em época mais recente, cujos moradores eram tratados pelo grupo dos estabelecidos como outsiders.

É um livro de pesquisa, mas com uma leitura muito prazerosa (aliás, como tudo que Elias escreve) que combina dados de fontes diferentes como estatísticas oficiais, relatórios, artigos de jornais, entrevistas e, principalmente, uma permanente observação (ah, como a etnografia enriquece uma pesquisa!). Graças aos diversos tipos de fonte, fica mais fácil a compreender os laços de interdependência que unem, separam e classificam os indivíduos e grupos sociais, em relação de poder constante.

Em pauta, a relação de poder entre dois grupos de moradores que não se diferenciam quanto a seu tipo de ocupação, origem, religião, educação, classe social, cor, raça, mas sim no que se refere ao tempo em que residiam na comunidade. Isto é que é muito curioso. O grupo estabelecido os estigmatizava como pessoas de valor inferior, tratavam os moradores novos como indivíduos que não se inseriam no grupo, como forasteiros, “os de fora.”

É um livro que nos ajuda a entender melhor questões bem contemporâneas e globais como relações de poder, exclusão social, cidadania e afins.

Recomendo!


terça-feira, 29 de maio de 2012

Notícias de Paris



Para quem gosta de navegar pelo mundo da arte, lá vai uma dica. O Grand Palais, em Paris, acabou de inaugurar a Monumenta 2012, uma exposição anual onde o artista convidado tem como desafio ocupar os 13.500 metros quadrados do espaço com uma obra única.


Este ano, o convidado para montar uma instalação no local foi Daniel Buren, artista plástico queridinho do momento e conhecido por suas famosas colunas bicolores.

 
 
Buren cobriu a nave principal do Grand Palais com estruturas circulares revestidas de filme colorido que absorvem a luz natural e transformam o ambiente numa gigantesca paleta de cores luminosa



Vale a pena uma visita, nem que seja virtualmente falando.

É demasiadamente bacana!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O orvalho de Brígida


Coleta de Neblina. Crédito: Galeria Nara Roesler
Fui apresentada à obra de Brígida Baltar quando morava em São Paulo numa bela exposição na Galeria Nara Roesler. Numa expô do Mamam, tornei-me definitivamente fã desta artista, que investiga o tempo e as dimensões do efêmero  anos depois. Para compor a série Umidades, que eu adoro, a artista coletou amostras da neblina, da maresia e do orvalho. Esses fenômenos naturais foram capturados através de tubos de ensaio instalados numa roupa especial acoplados às costas da artista, que registrou todo o processo de criação em fotografias e em filme.   

Coleta da Maresia. Crédito: Nara Roesler
Através de sua obra, Brígida assume uma atitude poética e ativa nossos sensores. A percepção que tenho acerca de Umidades é de uma obra fluída, não palpável, que se esvai das nossas mãos. Essa impossibilidade de tocar e de ver algo material aguça ainda mais a percepção do olfato, da visão e da audição. Penso que a gente acessa a sua obra quando entramos num estado de contemplação.

Brígida vai além. Vai em busca de captar o efêmero. Suas obras refletem a subjetividade no mundo. Nelas, a artista explora a memória e a afetividade geradas nos eventos da vida. São memórias afetivas. Lembranças de odores e de sons, de prazer e de melancolia. 


Sem dúvida, uma artista da contemporaneidade cuja obra vale a pena ser apreciada.




* Quem quiser saber mais sobre a artista, acesse www.nararoesler.com.br.

domingo, 29 de abril de 2012

Jazz is Paris, bien sûr!


Fazia um tempão que eu não escutava uma das músicas mais cool de todos os tempos. Estou falando de Jazz is Paris, do lendário Malcolm McLaren, o criador de Sex Pistols e responsável pelo impulso do movimento punk no mundo. Ele foi casado com ninguém menos do que a icônica Vivienne Westwood e um dos percussores do voguing – estilo de dança surgido entre os negros e gays dos guetos norte-americanos, e propagado por Madonna. 

Voltando ao assunto. Jazz is Paris é densa, sofisticada, sedutora. Que reflete o sentimento noir de Paris. É isto tudo e muito mais. Adoro essa fase pop afrancesada de Malcolm McLaren. 

Um saxofone solitário numa ruela do Marais, um copo de vinho tinto no Le Cafe Victor Hugo, na Place de Vosges ao final de um longo dia passeando pelo charmoso bairro dos judeus. Elegância a transbordar em cada esquina, assim como Jazz is Paris, Paris is Jazz!


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Coisas de mulher




Que Clarice Lispector é uma das escritoras mais cultuadas dos últimos tempos, isso ninguém duvida. Basta dar uma rápida olhada nas citações da linha do tempo do Facebook para comprovar. Um culto bem exagerado, diga-se de passagem. Aqui não estou entrando no mérito dela. Apenas me fatigo com tudo que é demasiado e unânime. Uma chatice igual ao frisson causado pelos shows de Chico Buarque e Paul Mc Cartney na terrinha!

Poucos conhecem a Clarice do Correio Feminino. Aquela que dá dicas, aconselha, recomenda. Que transita entre o trivial e transcendental com uma desenvoltura desconcertante. O Correio de Clarice de que vos falo é uma seleção de textos da escritora publicados em colunas e suplementos femininos da imprensa brasileira nas décadas de 50 e 60. A atualidade dos assuntos abordados é de impressionar!

Em tom de uma conversa entre amigas, Clarice Lispector fala sobre comportamento (em especial, os dilemas morais), os afazeres domésticos, as inquietações e dificuldades da mulher emancipada para conciliar a dupla jornada de trabalho, os cuidados com a beleza e os segredos da elegância.

Ao transitar por temas tão diversos, que vai do remédio contra ratos a como escolher o perfume ideal, Clarice delineou um contorno da mulher e da sociedade nos anos dourados. Adentrar pelas páginas deste Correio Feminino foi uma experiência que me encantou como tudo que já li de Clarice Lispector!

domingo, 15 de abril de 2012

Indignai-vos. Nota 10 para o #ocupeestelita!



Não estava prevendo escrever nada hoje, mas diante do que tenho escutado e lido a respeito do movimento do grupo Direitos Urbanos, que hoje ocupou o Cais José Estelita, resolvi me manifestar.

Na verdade, é uma indicação de um pequeno manifesto num momento bastante oportuno. Uma sugestão, sobretudo, para os que são contra e que zombam da grande mobilização de hoje (15) no Cais José Estelita.

Leiam urgentemente INDIGNAI-VOS, de Stéphane Hessel. Com mais de 90 anos, este filósofo belga e ativista faz um apelo ao envolvimento social e político em nome da emoção suscitada pelas injustiças. Comprar este pequeno livro, por si só, já é um ato militante, um gesto de comunhão, de participar de uma emoção coletiva.  

E por falar em emoção coletiva, a mobilização #ocupeestelita de hoje foi uma mostra de uma sociedade que se ressente do vazio ideológico, da ditadura do mercado financeiro, das injustiças sociais, da concentração de renda, dos desmandos do poder. Uma sociedade que se ressente porque sabe que tudo isso ameaça fortemente a paz e a democracia.

No texto, Hessel diz: “As razões para se indignar podem parecer atualmente menos claras, ou o mundo demasiado complexo. Quem manda, quem decide? Nem sempre é fácil distinguir as correntes que nos governam. Deixamos de ter contato com uma pequena elite cujas atitudes compreendíamos claramente. É um vasto mundo, que sabemos bem ser interdependente. Por isso, a indignação é a chave do compromisso”

Tenho pra mim que o grupo Direitos Urbanos está na direção certa e eu quero caminhar na mesma direção desses ventos que surgem no Cais José Estelita!

Parabéns #ocupeestelita! 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

London is calling me!


Já faz algum tempo que ando escutando sem parar o maior dos ingleses. Sim, o camaleão David Bowie. A cada música dele eu me transporto para um canto de uma das cidades mais cool que conheço. Para ser mais precisa, quando escuto Heroes ou Sound and Vision sou imediatamente transportada para Camden Town. Sim, a mesma Camden da fantástica Amy Winehouse, a Camden dos punks remanescentes de 70, a Camden dos The Clash, a Camden do fabuloso Jazz Café, a Camden dos mercados livres e dos bistrôs charmosos. Londres está sempre à frente do seu tempo. É vanguarda na essência. Que o diga a icônica Vivienne Westwood, só para ficar num exemplo de moda!  

Oxford Street no Natal
Sim, estou saudosa dos anos em que morei nessa cidade tão estilosa e cheia de charme. Para aumentar ainda mais a saudade, essa semana eu encontrei com a minha querida amiga Dina Duarte com quem vivi ótimos momentos londrinos. Imagina você se formar na mesma turma de jornalismo, passar anos sem vê-la e vai encontrar ocasionalmente logo em Oxford Street, coração de Londres? Pois foi assim meu reencontro com Dina. Um reencontro desse só poderia resultar em muitas histórias, entre baladas, confidências e passeios! Sempre quando a gente se encontra lembra de algum episódio desvairado na nossa London Calling. E cai na gargalhada! Você é uma fofa, Dina!

Londres é trendsetter em tudo. É a Meca mundial da street wear. O paraíso das fast fashion. É o tipo de lugar onde ninguém tem medo de ousar, de ser diferente. E por falar em fast fashion, logo vem à cabeça as famosas H&M e Top Shop. São ótimas, diga-se de passagem. Mas, pra mim o conceito de fast fashion é a Primark. De longe, a mais barata. Agora é preciso ficar atenta ao acabamento que, de fato, às vezes deixa a desejar. Ainda assim, vale demais a pena. Amooooo! Deixe o preconceito fora da loja e se jogue. A gente encontra blusas lindas por 5 libras ou casacos super fofos por 10 libras. Para vocês terem uma ideia, há 10 anos comprei uma saia preta toda bordada que, quando coloco aqui no Recife, faz o maior sucesso. Foi de lá, da Primark. Se não me engano paguei a bagatela de 7 libras e ela ainda está inteira.

Que saudade desses brechós !


Quem me conhece sabe que amo um estilo retrô e um brechó. Pois bem, Londres é o paraíso dos brechós e feirinhas vintage! Ah, os mercados públicos são imperdíveis. As quadras entre Commercial Road, Brick Lane e Spitafields Market, no East London, são repletas de brechós e lojinhas vintage cheias de estilo. Aliás, as lojas de second hand (roupas usadas) em Londres são super cool. Nada a ver com roupa velha e mal cuidada.

O mercado em Portobello Road, em Notting Hill, é o que há. As casinhas em estilo vitoriano, com suas fachadas coloridas, e as lojinhas de objetos de decoração, joias e livros antigos são imperdíveis. O bom é ir num sábado pela manhã e terminar o passeio no Churchill Arms (numa rua que liga Notting Hill a Kensington Street), um dos pubs mais famosos da região e o que eu mais frequentei por estar localizado a apenas duas quadras de onde eu morava.





E os parques londrinos? 


Adorava o café do Holland Park. Tinha altos concertos gratuitos!

Kensigton era a extensão da minha casa pra tudo, até pra chorar nos momentos dureza!
Vivi entre Holland Park e Kensigton Park. Um luxo, ou melhor, dois! Mas, os que eu mais gostava de ir ficam longe. Deixe de novo o preconceito de lado e se jogue em East London. Pegue a  Central Line até Bethnal Green Station e vá caminhando a um parque dos mais bacanas, o Victoria Park, que é bem sossegado.

Hampstead: Costumava tomar banho aí e fazer piquenique no verão 
O parque Number One é o Hampstead Heath, também fora do circuitão. De lá, você tem uma das mais belas vistas panorâmicas da cidade – depois do London Eye, claro! – e de quebra conhece a casa onde Karl Marx escreveu o Capital para depois discorrer sobre as ideias marxistas tomando algumas pints num dos inúmeros pubs das redondezas.

O Soho é uma efervecência de diversidades!
O SOHO, com todas as letras em maiúsculas mesmo, é outra parada obrigatória. Um lugar super badalado que reúne várias tribos, inclusive é a rua mais desejada da cidade para o consumo, a Carnaby Street. Tem muito restaurante bacana para todos os bolsos e lojas incríveis de designs. Costumava ir ao Busaba, um thai food muito bom. Sem dúvida, um dos bairros mais cool de London Town!


Saudade de tomar café no Pret à Manger antes de entrar no tube

Ming the gap, stay clear of the doors. Quem já esteve lá sabe do que estou falando. Do Tube, o famoso metrô de Londres. Aliás, compre um travel card e vá desbravar a cidade de underground, pois a malha cobre quase toda a cidade e, quando não, permite fácil acesso aos trens metropolitanos. O legal do metrô é que você encontra uma pequena mostra desta cidade cosmopolita: do punk à inglesa montada para uma balada! Quem vai pra balada em Londres (não, a noite não termina quando os pubs fecham!), tem que pegar pelo menos uma vez os famosos NIGHT BUS. Pense numa extensão de farra! 

Os festivais de jazz, de verão, de inverno, os museus, as lojas de conveniência dos indianos, as famosas Off License, as galerias de arte. Tudo, mas tudo naquela cidade é IM- PER-DÍ-VEL. Até os supermercados. Se quiser economizar, compre no Tesco. À procura de um mimo a mais para um evento especial, vá ao Marks & Spencer. O Sainsbury’s é o meio termo dos dois.

Ah, parada obrigatória para os amantes da boa música: 606 Jazz Club, que fica num dois bairros mais charmosos, o Chelsea. Lá tem ainda um mercado fofo e um supermercado espetacular só de produtos orgânicos!

Agora diz: Londres está ou não me chamando? Corra, Lolô, Corra! Mas, antes junte um dinheirinho e prepare o bolso para gastar pounds....

See you ASAP, London!


quarta-feira, 11 de abril de 2012

As várias faces de Pessoa


Nem só de comilança sobrevivemos às noites insones. Quem é ansioso, sabe que a insônia é uma das principais consequências desta agoniazinha que vai deixando nosso coração acelerado e a cabeça a mil por hora. Sabe como é ruim não conseguir desligar a tomada do juízo. O pior é quando ela vai se prolongando, as horas passando e você perambulando pela casa, já batendo o desespero com o relógio indicando que daqui a pouco surgirão os primeiros raios de sol. Por isso, de uns tempos para cá tomei umas decisões. Parei de lavar banheiros ou arrumar armários e resolvi fazer algo mais legal como ler ou escrever.Na minha última insônia, a lua me inspirou e resolvi reler alguns poemas do meu amado Fernando Pessoa. 

 “O poeta é um fingidor
 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente”. (Autopsicografia, Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)


Falar de Fernando Pessoa não é apenas falar do maior poeta de todos os tempos. Falar de Pessoa é falar de um poeta que, como poucos, carregou nas tintas e no papel para expressar todo o sentimento do mundo. Como todo gênio, era dono de uma personalidade controvertida. Sua obra é vasta, afinal, Pessoa é vários poetas numa única pessoa. Definitivamente único!

Teve uma vida de perdas. Ainda menino, perdeu o pai, depois o dinheiro, a casa, a irmã. E foi morar na casa da avó louca, a Dionísia. Morreu aos 47 anos de cirrose hepática em Lisboa, sua terra Natal, sem o devido reconhecimento.

Ao longo da sua vida, Fernando Pessoa fingiu tão completamente ser outros que não conseguiu encontrar a si mesmo. Mas isso, o próprio se justificava. Para o poeta, o “fingimento é a forma de chegar à verdade essencial, e só se pode chegar à verdade essencial através do poema”.

Pessoa fingiu, foi vanguarda, polêmico, popular, poeta dramático, e estava sempre em busca do ser, do seu Eu Profundo e dos outros eu (bela obra dele). Foi tão grande a sua criação que acabou se perdendo de si mesmo:

“Quem sou, que assim me caminhei sem eu

Quem são, que assim me deram aos bocados
À reunião em que acordo e não sou meu?”


A poesia de Pessoa é transgressora. Romântica. Mística. Oculta. Profunda. Densa. Mas, a verdade mesmo da poesia de Fernando Pessoa é que o mundo levou muito tempo para descobri-la. Aliás, tem gente que ainda acha Fernando Pessoa um chato, um “drama em gente” como o próprio costumava dizer. Pobre dessas pessoas que não descobriram a verdadeira essência em Pessoa. Ainda é tempo para descobri-la, seja em Ricardo Reis, Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, seus heterônimos.

E para encerrar essa postagem, despeço-me de vocês com um dos meus preferidos:

Encerrando Ciclos

“Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te : Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”

C’est ça!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Meu gosto pela arte devo a você, Popoi. Com Amor, Lolô!

  
Socorro trabalhando numa expô
crédito: César Giobbi

Foto Miguel Rio Branco. Adoro!











Posso dizer com a mais pura convicção que o meu gosto pela arte contemporânea eu devo a Socorro, a minha querida Popoi! Não é porque veio da minha tia (ou melhor, acho que é), mas aprendi a gostar de arte contemporânea de verdade a partir dela.

As exposições de Rodin na Pinacoteca de São Paulo, as esculturas de Louise de Bourgeois e de Emanoel Nassar, o orvalho capturado por Brígida Baltar, conhecer pessoalmente o processo criativo da mestra Tomie Othake naquela casa de concreto maravilhosa, em Moema (ou é Campo Belo?), as peças em madeira de Maurício Silveira, as esculturas de Artur Lescher, sem falar das bienais maravilhosas e das exposições maravilhosas na Galeria Nara Roesler.

Ah, não poderia me esquecer da inesquecível experiência da Arte-Cidade, projeto através do qual a gente se deparava com sensações de medo e de encantamento nas ruínas das antigas fábricas dos Matarazzo, da aristocracia paulistana, sempre interagindo com as intervenções de diversos artistas naquela paisagem. Parece que foi ontem que escutei o som que José Miguel Wisnick produziu numa chaminé. E dentro do vagão do trem, que saía da Luz, na Cracolândia, a gente ia vendo um filme passando na medida em que o trem se movimentava. Foi uma experiência visual, sensorial e de todos os sentidos possíveis e imagináveis. De fato, marcante!

Enfim, seria impossível listar todas as nossas andanças pelas artes em São Paulo. Com Popoi, aprendi a ter um olhar crítico e a apreciar o belo, mesmo quando a obra não parecia tão bela assim. E a arte cinética de Palatnik? Mas aí, para apreciar uma das mais belas obras, eu nem precisava sair de casa. Bastava olhar para a instalação na parede da sala de Popoi. É luxo, né não?  Aliás, a casa de Popoi é um verdadeiro museu. Tem ainda as obras de Tunga, como a cobra em que eu sempre esbarro quando vou lá. E a trança? O pente de aço? Maravilhosos! Não tem preço essa convivência diária de 3 anos que tive com a minha tia marchand, quando ela me recebeu de braços abertos para uma longa temporada em sua casa em São Paulo. Só tenho gratidão pelo acolhimento tão afetuoso. Socorro, uma mulher determinada, forte e batalhadora. Tudo que conseguiu (e não foi pouco) foi graças a muito trabalho e suor, além do talento nato inerente, é claro! O respeito e admiração dos críticos de arte e artistas nada mais são do que o reconhecimento ao seu trabalho.

As fotografias do meu ídolo Miguel Rio Branco, quem me apresentou? Popoi, claro. E agora, a sua galeria Millan Antonio está com uma bela exposição da fantástica Tatiana Blass. Um primor! Aliás, recomendo uma visita na galeria que fica na Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. Eles trabalham com artistas muito bacanas como Artur Barrio, outro que amo de paixão.

Corra, Lolô, corra pra São Paulo pro aconchego da sua tia, do seu tio querido Tonho, e dos seus primos-irmãos, agora com as proles crescendo! E assim, a gente vai levando a vida nessa roda viva que gira, que roda o mundo e roda pião, cultivando os afetos, sem perder a ternura nunca, né não Che? Merci beaucoup, Socór!